terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Experiências


"De mil experiências que fazemos, no máximo conseguimos traduzir uma em palavras, e mesmo assim de forma fortuita e sem o merecido cuidado. Entre todas as experiências mudas, permanecem ocultas aquelas que, imperceptivelmente, dão às nossas vidas a sua forma, o seu colorido e a sua melodia. Quando depois, tal qual arqueólogos da alma, nós nos voltamos para esses tesouros, descobrimos quão desconcertantes eles são. O objeto da observação se recusa a ficar imóvel, as palavras deslizam para fora da vivência e o que resta no papel no final não passa de um monte de contradições. Durante muito tempo acreditei que isso era um defeito, algo que deve ser vencido. Hoje penso que é diferente, e que o reconhecimento de tamanho desconcerto é a via régia para compreender essas experiências ao mesmo tempo conhecidas e enigmáticas. Tudo isso parece estranho, eu sei, até mesmo extravagante. Mas desde que passei a ver as coisas assim, tenho a sensação de, pela primeira vez, estar atento e lúcido.
Se é verdade que apenas podemos viver uma pequena parte daquilo que há dentro de nós, o que acontece com o resto?"

Extraído do livro Trem Noturno para Lisboa de Pascal Mercier

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

"E o que vai ficar na fotografia são os laços invisíveis que havia..."

Olhando essa imagem sinto saudades.
Saudades de um tempo que não voltará.
Da amizade que nos unia, que era tão bonita quanto esta tarde que passamos juntas.
Não foram poucos momentos assim.
Crescemos e embora mantenhamos o contato, sinto que não é a mesma coisa.
Os papos mudaram, as preocupações também,
já não nos vemos com tanta frequencia, mas ainda somos nós.
Temos a mesma essência embora nem sempre a cabeça seja a mesma.
Agora, olhando saudosamente o passado,
mal me reconheço.
O cabelão, o estilo, nós três juntas...
Ai que saudade!