sexta-feira, 17 de dezembro de 2010



Se eu não deixá-lo partir, essa ferida aberta em meu peito vai infeccionar. Preciso cuidar para que não perca a força interior que teimo em desconhecer, embora se faça cada vez mais presente em meu dia-a-dia.

"Viajando para a lua você dorme e seus sonhos se desembaraçam." 

Baseado em Nana

domingo, 12 de dezembro de 2010


Quando somos pequenos achamos que nossos pais são heróis. Que eles podem nos proteger de qualquer coisa. Não é a toa que é para a cama deles que corremos quando estamos com medo.
Sempre há um a quem somos mais apegados. Na maioria das vezes costuma ser a mãe. São raros os casos que não.
O tempo vai passando, vamos crescendo e aos poucos sem percebermos, a nossa visão de mundo também vai modificando. As decepções começam a aparecer. A descoberta de que todas a coisas que você acreditava não passavam de fantasias. A começar pelo Coelhinho da Páscoa, passando pela Fada do Dente e o Papai Noel.
Daí por diante, as decepções só aumentam. Na transição da infância para a adolescência, sem dúvida, a pior delas é descobrir que seus heróis. Quem você pensava que poderia te proteger de tudo e de todos, são na verdade, pessoas comuns, que também erram, assim como você e todas as pessoas que você ainda cruzará ao longo da sua vida.
A partir de então, você pode escolher se acostumar com isso ou aprender a se virar sozinho ou pode sofrer até que a vida te ensine na marra.

"A verdade é que todo mundo vai te machucar, você só deve decidir por quem vale a pena sofrer."

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ausência


"Se agregar não é segregar;
Se agora for, foi-se a hora.
Dispensar não é não-pensar;
Se saciou, foi-se embora"

"..." - O Teatro Mágico

agregar - ajuntar, aglomerar, reunir vp. 2.reunir-se, associar-se, congregar-se. Conjuga-se como regar.
segregar - Pôr de lado, separar; 2. operar a secreção de; 3. desligar, afastar, tirar do convívio dos outros; 4. isolar-se;afastar-se. Conjuga-se como regar.

sábado, 4 de dezembro de 2010


Entre gritos e lágrimas sufoco-me.
o desespero toma conta e penso em quebrar promessas que se não fossem pelo que são,
já não teriam valor algum.
A solidão vem com tudo me deixando fora de mim.
Luto já sem forças.
Preciso fazer algo, não posso continuar assim.
Me acalmo, mas não por muito tempo.
Novamente sou atingida por essa onda
de lembranças e dor.
Afogo-me aos poucos,
sob as águas revoltas não penso no físico,
o que dói é a alma.
Não sei o que sou e nunca soube.
Tampouco o que sinto ou serei.
Viver ou morrer me é indiferente.

"Eu vejo tudo o que se foi e o que não existe mais..."

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Do começo ao Fim


" - Eu te amo.
  - E por que você me ama?
  - Eu te amo porque você é meu. Eu te amo porque você precisa de amor. Eu te amo porque quando você me olha eu me sinto um herói. Sempre foi assim. Eu te amo porque quando eu te toco me sinto mais homem do que qualquer outro.
 - [...] Eu te amo porque você poderia amar a qualquer outra pessoa e mesmo assim, você me ama... só a mim."



"Ser capaz de se entregar inteira e completamente a uma outra pessoa é a melhor coisa da vida. O amor verdadeiro começa aí. Nesse entrega incondicional. A vida pessoal só vale a pena quando se acredita na dependência mútua."

Extraído do filme Do Começo ao Fim

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Autocrítica

Não adianta fugir. Não adianta pensar. Ter planos não significa que vá executá-los. Posso correr até a exaustão, que quando eu parar, ainda estarei lá. Independente do lugar, ainda serei eu. Com os mesmos problemas. Com as mesmas soluções. Com os mesmos sentimentos. Com as mesmas frustrações.
Sei que de nada adianta tantas palavras. Tantas lamúrias. Tantas reclamações. É preciso uma mudança real, prática. Só assim surtirá o efeito desejado.
Essa melancolia é quase um martírio. Uma conformação. Não poder mudar partes da vida que supostamente trazem infelicidade não significa, necessariamente, esconder-se atrás delas. Embora seja difícil admitir, está mais do que claro que faço uso desse artifício para justificar minha "estagnação" em relação a tudo a minha volta.
E enquanto o tempo passa continuo me escondendo sob essa "capa", por não aceitar quem realmente sou. É uma defesa. O medo de não ser aceita, justamente por não me aceitar, torna evidente minha covardia e insegurança. Ao fazer isso, me deparo com um dos sentimentos mais baixos que um ser humano pode sentir, que é a autopiedade. Nada mais desprezível do que ter pena de si mesmo.
Aproveito esses raros dias em que consigo fazer uma auto-analise sem ser interrompida por pensamentos aleatórios e desnorteantes de todas as naturezas. Não há dúvidas de que em alguns dias, até mesmo horas, voltarei ao normal. Escrevendo sobre as mesmas coisa. Velhos sentimentos com palavras nem tão diferentes assim.
Esse comportamento se repetirá sucessivamente até o dia em que eu der o primeiro passo em rumo ao amor próprio. Só então as mudanças serão concretas e permanentes. Não importa o quão mude o mundo externo, eu serei meu próprio "porto seguro". E quando esse dia chegar, minha busca por alguém a quem possa admirar e amar, terá terminado. Porque eu serei essa pessoa. Só então poderei começar uma nova busca, e dessa vez, pelos motivos certos.

"Se você quiser alguém em quem confiar 
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança."

Renato Russo

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Aprender a Amar



"Quando era pequena, numa cidadezinha de Connecticut, os meus vizinhos prediletos eram um casal de cabelos brancos, Arthur e Lillian Webster. Os Webster criavam gado leiteiro e pautavam a vida por um conjunto inviolável de clássicos valores ianques. Eram modestos, frugais, generosos, trabalhadores, religiosos sem exagero e membros socialmente discretos da comunidade, e criaram os três filhos para serem bons cidadãos. Também eram de uma bondade enorme. O sr.Webster me chamava de "Cachinhos" e me deixava passar horas andando de bicicleta no seu estacionamento bem pavimentado. Quando eu era muito boazinha, às vezes a sra. Webster me deixava brincar com a sua coleção de antigos vidros de remédio.
Faz alguns anos que a sra.Webster faleceu. Alguns meses depois da sua morte, saí para jantar com o sr.Webster e passamos a falar da sua esposa. Quis saber como tinham se conhecido, como tinham se apaixonado - todo o início romântico da vida em comum dos dois. [...] Não consegui arrancar do sr.Webster nenhuma lembrança romântica da origem do seu casamento. Ele confessou que não conseguia nem se lembrar do momento exato em que conhecera Lillian. Ela estava sempre na cidade, pelo que ele recordava. Sem dúvida, não foi amor à primeira vista. Não houve nenhum momento de emoção, nenhuma fagulha de atração instantânea. Ele nunca se apaixonara por ela.
 - Então por que se casou com ela? - perguntei.
Como explicou com o seu típico jeito ianque, franco e objetivo, o sr.Webster se casou porque o irmão mandou que se casasse. Arthur logo assumiria a fazenda da família e, portanto, precisava de uma mulher. Não se pode administrar uma fazenda direito sem mulher, assim como não se pode administrar uma fazenda sem um trator. Foi uma mensagem nada sentimental, e Arthur sabia que a ordem do irmão era certa. Assim, o jovem sr.Webster zeloso e obediente, saiu pelo mundo para arranjar devidamente uma esposa. Ao ouvir a narrativa, ficamos com a sensação de que várias moças em vez de Lillian poderiam ter ocupado a vaga de "sra.Webster" e que, na época, isso não faria muita diferença para ninguém. Arthur simplesmente se decidiu pela loura que trabalhava no Serviço de Cursos de Extensão da universidade. Tinha a idade certa. Era simpática. Era saudável. Era boa. Servia.
Portanto, é claro que o casamento dos Webster não começou com um amor febril, pessoal e apaixonado[...]. Portanto, podemos então supor que essa união é "um casamento sem amor". Mas é preciso tomar cuidado ao fazer suposições assim. Disso eu sei bem, pelo menos nos caso dos Webster.
No fim da vida da sra.Webster, diagnosticaram a doença de Alzheimer. Durante quase uma década, essa mulher vigorosa definhou de tal maneira que vê-la era um sofrimento para todos na comunidade. O marido, aquele fazendeiro ianque pragmático, cuidou da mulher em casa durante todo o tempo em que ela levou para morrer. Ele lhe deu banho, a alimentou, abriu mão da liberdade para tomar conta dela e aprendeu a suportar as consequências pavorosas da sua decadência.. Continuou cuidando da mulher mesmo bem depois que ela já nem sabia quem ele era, e até bem depois que ela já nem sabia quem era ela mesma. Todo domingo, o sr.Webster vestia sua mulher com boas roupas, punha-a na cadeira de rodas e a levava ao culto, na mesma igreja em que tinham se casado quase sessenta anos antes. Fazia isso porque Lillian sempre amara aquela igreja, e ele sabia que ela apreciaria o gesto caso tivesse consciência dele. Arthur sentava-se no banco ao lado da esposa, domingo após domingo, segurando a mão dela enquanto ela se afastava aos poucos rumo ao esquecimento.
E se isso não é amor, alguém vai ter de se sentar comigo e explicar bem direitinho o que é amor na verdade."


Extraído de Comprometida - Uma História de Amor  de Elizabeth Gilbert

Lendo este trecho do livro fiquei pensando em quantos casamentos são assim. Em quantas pessoas se assujeitam a essa situação. E principalmente se eu conseguiria viver a vida inteira ao lado de uma pessoa pela qual só sinta afeto. Uma pessoa a qual eu respeite, mas não ame. Só de pensar nisso uma angústia se apossa de mim e me faz querer desaparecer.
O afeto não é amor. Será que ele supre a solidão?

domingo, 28 de novembro de 2010

Esse é o nosso mundo, esse é o nosso Rio de Janeiro

A situação anda tão tensa que mesmo os mais despreocupados não deixam de notar a tensão que se apossa mansamente de cada um de nós.
Independente do lugar, seja em comunidades ou não, o ar está carregado. A incerteza de um retorno deixa o medo estampado nos olhos da população.
O mundo virtual passa a ser a válvula de escape, lembrando que quem está preso somos nós. Perdemos as rédeas das nossas vidas para a violência e esperamos ansiosamente que voltem ao normal.

"Ninguém vê onde chegamos? Os assassinos estão livres, nós não estamos..."
                Legião Urbana 

sábado, 27 de novembro de 2010

Destino


"Podemos nos culpar pelo resto da vida, ou podemos admitir a cruel verdade. Não foi culpa de ninguém, foi o destino."

Autor Desconhecido

quinta-feira, 25 de novembro de 2010



E se houver alguém em quem dar um abraço de Ano Novo?
Alguém a quem possa entregar meus sentimentos sem receios?
Alguém que me aceite e me respeite como sou.
Alguém a quem não ame
Mas a quem talvez pudesse aprender a amar.
Se uma segunda chance me foi dada
Não seria correto deixar passar
No entanto, a dependência do tempo persiste
Assim como a angústia em meu peito
E o receio de brincar com o sentimento alheio.

Vazio!Vazio!Vazio!
É o que tenho aqui dentro
Maior que eu, é um buraco negro
que suga todo o equilíbrio que eu jamais terei.

As mais belas palavras ditas pela pessoa errada,
Não da pessoa que assombra meus sonhos.
Lágrimas rolam, não apenas por minhas faces
mas também em minh'alma.
Gritos desesperados ecoam pelo meu silêncio.
Se abro a boca eles escapam e fazem um estrago.

Já não sei até onde sou capaz de ir
Sinto que a qualquer momento vou explodir
E os estilhaços vão se espalhar
Mas não deixarei de existir.

Minhas ilusões românticas
Me impedem de tentar
E trazem, cada vez mais,
solidão e lembranças de uma época que quero esquecer.
Sinto "a casa dos sonhos" cada vez mais distante
e rejeito a oportunidade de me aproximar "dela".

E é assim que termino
deitada em minha cama
Pensando no que poderia fazer
Esperando algo acontecer.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Partida


“Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. “
   Caio Fernando Abreu


E eu só descobri isso depois que perder-te.



segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O medo e o recomeço



E se de repente o destino me oferece a tão sonhada chance de recomeçar?
Depois de tanto pedir, não posso simplesmente virar as costas ao que me foi enviado.
Cenas passadas assombram-me fazendo com que a tristeza transborde em meus olhos
revelando indícios de um tempo do qual só me restaram fantasmas.
É uma saudade ruim,carregada de uma imensa vontade de aproveitar o presente sem receios ou lembranças.
Uma vontade desesperada de querer amar e ser amada sem medo.
Me sentir nas nuvens sem esquecer da realidade que me espera.

Mais que isso


Nessa busca incessante,
procuro me encontrar.
É uma sequência de testes
cuja pergunta principal é: até onde vou?
Por vezes faço coisas que penso que me farão feliz
e no entanto fico surpresa ao sentir na pele o efeito contrario.
- Não, eu não sou assim. Não é isso que quero pra mim. Eu não quero ser o step de ninguém. Não tenho essa vocação.  - é o que grita minha voz interior.

"Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior..."

domingo, 21 de novembro de 2010



Tenho o corpo relaxado e a mente tumultuada
Cercada de contrastes,tento em vão,
expressar meus sentimentos em poesia.
Versos livres tomam forma
Palavra por palavra
É assim que me encontro nesta manhã desta quinta-feira cinzenta
Onde o sol luta pra sair e uma brisa balança suavemente meus cabelos.
Não sinto frio, apenas vazio.
Seu cheiro, impregnado na minha pele
só me traz lembranças do que poderia ter sido a melhor tarde do ano.
A força que me faz querer ser indiferente a ti é nula,
É uma vontade tolamente subjetiva
Mesmo sendo, objetivamente, pura ignorância.
Mesmo que eu queira ou tente, te odiar está além de minhas forças.

Os sons das ondas batendo, a barca passando, essa paisagem privilegiada
Não me tiram a vontade de sumir.
Sozinha,sempre sozinha.
O tempo passa e a mudança é superficial.
Mais uma vez me vejo perdida
Sem vida ou objetivos.
Só amar me motiva e até que eu aprenda a cultivar o amor próprio,
esse vazio será minha companhia.
Minha busca pelo amor é eterna
Neste instante, sou e estou objeto.
Como a árvore que gentilmente me sede sua sombra.
De ontem em diante não me permitirei ser usada em outra ocasião se não em benefício próprio.
Esse vazio já é grande o bastante para que continue a crescer.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Dar é Dar

"Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido. Mas dar é bom pra cacete. Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca... Chama-te de nomes que eu não escreveria... Não te vira com delicadeza... Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar. Dar sem querer casar... Sem querer apresentar pra mãe... Sem querer dar o primeiro abraço de Ano Novo. Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral... Te amolece o gingado... Te molha o instinto. Dar porque a vida é estressante e dar relaxa. Dar porque se você não der pra ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã. Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito. Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro. Dar é bom na hora. Durante um mês. Para os mais desavisados, talvez anos. Mas dar é dar demais e ficar vazio. Dar é não ganhar. É não ganhar um "eu te amo" baixinho perdido no meio do escuro. É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir. É não ter alguém pra querer casar, pra apresentar pra mãe, pra darão primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: "Que que cê acha, amor?" É não ter companhia garantida pra viajar. É não ter pra quem ligar quando recebe uma boa notícia. Dar é não querer dormir encaixadinho... É não ter alguém pra ouvir seus dengos... Mas dar é inevitável... Dê mesmo, dê sempre, dê muito... Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor. Esse sim é o maior tesão... Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar..."
(Luís Fernando Veríssimo)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ventos de Mudança

 
Sempre há aqueles pensamentos em que evita-se pensar, pois nos tiram o sono apesar de sabermos que não há uma solução imediata ou sequer sabemos se há uma solução. E como evitar não significa solucionar,mas sim adiar o inevitável, mais cedo ou mais tarde eles acabam voltando, mais uma vez me vejo aqui, durante a madrugada, insone, pensando no que não deveria.
O primeiro de meus vários dilemas é o fato de não conseguir falar,dançar,cantar na frente do espelho. Sempre que faço isso me sinto uma completa idiota. Fico envergonhada. Por outro lado, me sinto idiota também por não conseguir fazer isso. Acho que o fato de ser idiota não muda em ambos os casos, mas só de botar isso para fora já vale.Talvez a solução seja persistir até que isso acabe.
Outra coisa que me deixa mal é olhar para o lado e ver pessoas,mais novas do que eu até, que já fizeram tantas coisas, que me fazem imaginar como elas dividiam seu tempo para alcançar seus objetivos e serem o que são hoje. Também me pergunto o que fiz com meu próprio tempo para me perguntar isso.
Penso em várias e várias maneiras de resolver meu problema e volto sempre ao ponto de partida. Só pensar não adianta e eu sei disso. Mas qual será o primeiro passo?

sábado, 6 de novembro de 2010

Melancolia

Gosto de falar sobre um tema por postagem, mas enquanto pensava como seria esta, percebi que seria impossível por que um assunto me leva a outro. Então decidi começar por duas definições e um trecho de um livro.

astrologia sf Estudo da influência dos astros no comportamento das pessoas.

melancolia sf 1.Estado mórbido que se caracteriza por tristeza e depressão; 2. magoa,pesar; 3.tristeza vaga.

“ -Você não sabe que o segredo para entender uma cidade e seus habitantes é aprender qual a palavra da rua?
[...] toda cidade tem uma única palavra que a define, que identifica a maioria das pessoas que mora ali. Se você pudesse ler o pensamento das pessoas que passam por você nas ruas de qualquer cidade, descobriria que a maioria delas está tendo o mesmo pensamento. Qualquer que seja esse pensamento da maioria – essa é a palavra da cidade. E, se a sua palavra pessoal não combinar com a palavra da cidade, então ali não é realmente o seu lugar. ”

Extraído do livro: Comer, Rezar, Amar (p.110)

Depois que li esse texto, comecei a pensar em qual seria a minha palavra. Intrigante, já que não sei me definir em várias, que dirá em apenas uma palavra.
Sempre me interessei por astrologia, e um dia acordei de decidi que tentaria fazer meu mapa astral, o maior desafio era encontrar um site que me ajudasse. Em meio aos vários links que o google me sugeriu, o encontrei cigano.net que não apenas me ajudou,como fez meu mapa astral em segundos.
Li minuciosamente cada um dos dez capítulos referente às áreas da minha vida para ver se realmente o que estava ali batia com o que eu conhecia de mim e fiquei boba quando constatei que sim. Também percebi que uma palavra predominou na maioria delas, e essa palavra era melancolia. Minha natureza é melancólica e embora eu já soubesse disso, nunca tinha reparado e jamais pensei que essa seria a minha palavra.
Certa vez li que “a melancolia é a tristeza poética.” Sou obrigada a admitir que essa definição cairia muito melhor à palavra e ainda ficaria muito mais bonita no dicionário.

Ouvir Estrelas



 "Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto

A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."


Olavo Bilac 

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Amizade



Há momentos em que tudo o que se quer é estar longe do mundo. Não ver ninguém, se possível nem nossos pensamentos. Mas há momentos em que tudo que se quer é dizer às pessoas que amamos o quanto as amamos. Às vezes falta coragem, vergonha, jeito com as palavras e até mesmo o medo de ser clichê nos impede. Mas existe algo mais clichê que o amor?Isso é imutável, faz parte da natureza.
Ontem enquanto estava a caminho da faculdade, senti uma saudade imensa dos meus amigos. Tive vontade de rir com eles, zuar, abraça-los e dizer o quanto os amo.
Naquele momento, um sorriso distante estampava meus lábios. Eu não estava alí. Quando cheguei ao centro da cidade fui trazida de volta à realidade.
Em questão de minutos estaria em um mundo completamente diferente, mas do qual agora eu também fazia parte. Eu sou a intercessão entre esses dois lugares, assim como meus amigos são dos seus respectivos mundos. E das manhãs preguiçosas, dos bilhetes em sala, das musicas diariamente compartilhadas e das confidencias trocadas, só resta a nostalgia.
Hoje, os raros momentos que temos disponíveis para nos encontrar, são meu ponto de fuga, minha válvula de escape. Momentos de pura descontração que me fazem lembrar que não faz parte da vida ser um peixe fora d’água. No nosso aquário não há fofocas ou falsidade, não há espaço para personagens ou julgamentos. Não importa o quão diferentes sejamos. A amizade que nos une é muito maior que tudo isso. Só com vocês eu sou realmente feliz.